Enquanto campanhas de prevenção e cuidados costumam engajar mais o público feminino, muitos homens ainda resistem a procurar atendimento médico ou até mesmo a buscar informações sobre saúde. E esse comportamento, mais comum do que parece, impacta diretamente a forma como os médicos precisam se comunicar com esse público.
A verdade é que, quando se trata de saúde, o público masculino tem suas próprias barreiras, interesses e formas de se conectar com mensagens e campanhas. Por isso, entender essas particularidades é o primeiro passo para criar uma comunicação que realmente incentive esses pacientes.
Neste artigo, você vai descobrir como adaptar sua linguagem, abordagem e presença digital para atrair e engajar o público masculino.

Como adaptar a linguagem médica para se conectar com pacientes homens
Homens, de forma geral, tendem a se conectar melhor com mensagens diretas, objetivas e práticas, e isso também vale quando falamos sobre saúde.
Durante muito tempo, grande parte dos homens negligenciou o cuidado com a saúde, mas esse cenário começou a mudar. Uma pesquisa revelou que 66% dos homens passaram a se preocupar mais com sua saúde e bem-estar desde a pandemia. Esse dado mostra uma oportunidade para falar sobre prevenção e autocuidado com esse público.
No entanto, é preciso entender que certos comportamentos ainda são influenciados por normas culturais que associam masculinidade à autoconfiança, resistência e virilidade. Essas crenças muitas vezes fazem com que homens adiem consultas, ignorem sintomas ou resistam a procurar ajuda médica por medo de parecerem vulneráveis.
Por isso, ao criar conteúdos ou campanhas voltadas para esse público, é importante ir além dos estereótipos do “fanático por futebol” ou “especialista em cerveja”. A comunicação deve ser baseada em valores mais universais e profundos para esse perfil, como independência, privacidade, força e longevidade. Afinal, sabemos que, hoje em dia, esses estereótipos não são mais viáveis.
Uma boa estratégia consiste em associar o cuidado com a saúde a qualidades que o público masculino admira. Por exemplo, fazer exames preventivos pode ser comunicado como uma atitude de quem quer manter a energia, a vitalidade e a capacidade de viver a vida com autonomia e confiança. Ou seja, as pessoas deixam de associar saúde à fragilidade e passam a enxergá-la como sinônimo de força.
NOTA:
Sabemos que muitos homens já se desvincularam dessas antigas ideias e hoje cuidam da sua saúde (sem tabus). No entanto, ainda existe uma parcela que mantém esses comportamentos enraizados em crenças culturais. Por isso, o objetivo ao adaptar a linguagem não é reforçar estereótipos, mas justamente conseguir se comunicar com quem ainda precisa dar esse passo sobre uma nova mentalidade.
Conteúdos sobre saúde do homem: o que publicar?
Criar conteúdos relevantes para o público masculino vai muito além de publicar posts sobre o “Novembro Azul” uma vez por ano (apesar disso também ser importante). Para atrair e engajar esses pacientes, é importante produzir conteúdos que falem sobre suas reais preocupações, comportamentos e valores.
Temas como saúde da próstata, prevenção de doenças cardiovasculares, bem-estar mental, qualidade de vida e envelhecimento saudável são alguns dos assuntos que costumam gerar interesse quando abordados com a linguagem certa. Como falamos anteriormente, o segredo está em valorizar aquilo que o público masculino reconhece e valoriza, como autonomia, força, vitalidade etc.
Outro ponto importante é lembrar que não existe um único perfil de paciente. Há homens jovens, pais de família, com orientação sexual diferente, atletas, aposentados, etc e cada um tem necessidades, interesses e comportamentos diferentes.
Uma estratégia interessante nesse caso é investir na criação de personas de nicho, baseadas em dados reais do seu público e na observação do comportamento dos pacientes, tanto nas consultas quanto no digital.
Onde seu consultório deve estar para atrair mais homens
De nada adianta criar conteúdos pensados para o público masculino se eles não estão sendo divulgados nos lugares que eles estão. Assim como qualquer estratégia de marketing, escolher os canais certos para alcançar esses pacientes é necessário para ter resultados.
Dados mostram que 46,2% dos usuários do Instagram são homens, enquanto no YouTube esse número sobe para 55,4%, tornando essas duas plataformas as que mais possuem presença masculina no digital.
Entretanto, estar presente nesses lugares não significa apenas ter um perfil, mas sim produzir conteúdos que conversem com quem está lá. No Instagram, vídeos curtos (Reels), carrosséis e Stories costumam funcionar bem. Já no YouTube, vídeos mais detalhados e informativos, com uma linguagem clara e prática, são uma ótima maneira de educar e engajar esse público.
Assim, ao se tornar presente nesses canais, você consegue inserir seu consultório no dia a dia dos homens, aproveitando justamente os espaços onde eles já estão consumindo informações.
Por que você deve investir em parcerias para atrair mais pacientes homens
Como você já deve ter percebido, se conectar com o público masculino nem sempre é uma tarefa simples. Por isso, investir em parcerias pode ser uma maneira de ampliar o alcance e aumentar a credibilidade do seu consultório.
Colaborações com influenciadores homens, academias, faculdades, times esportivos etc, podem ajudar a inserir seu nome em ambientes onde os homens já se sentem à vontade e confiam. Um bom exemplo dessa estratégia foi a campanha da Gillette no Novembro Azul, que uniu a marca a mensagens de conscientização sobre o câncer de próstata, associando o autocuidado masculino a um símbolo culturalmente forte, ou seja, o ato de se barbear.
Seguindo essa lógica, médicos podem explorar parcerias locais ou digitais para se aproximar de públicos com interesses específicos.

Criação de personas masculinas: conheça os diferentes perfis de pacientes homens
Cada vez mais, os homens se abrem para falar sobre saúde, desde que a conversa respeite seus valores e perfis comportamentais. Por isso, criar personas masculinas bem definidas é importante para fugir dos estereótipos e construir conteúdos que realmente façam sentido para diferentes tipos de pacientes homens.
Nem todo homem se identifica com a imagem do esportista ou do “durão” que evita médicos. Alguns se preocupam com a qualidade de vida para acompanhar o crescimento dos filhos, outros querem garantir autonomia e vitalidade para envelhecer bem, enquanto muitos buscam prevenção para manter o desempenho no trabalho e nos esportes.
São essas características que precisam ser levadas em conta na hora de planejar campanhas. Por isso, mais do que falar com “homens” de forma genérica, o ideal é falar com os homens, com suas histórias, motivações e expectativas.
Quando você entende de verdade quem está do outro lado, consegue criar campanhas mais humanas, personalizadas e que tragam mais resultados. Assim, a comunicação deixa de ser rasa ou estereotipada e passa a gerar identificação, conexão e, principalmente, ação.